Emphasis 01 - The Gatekeepers
 

    Na Rua Shimamiya, Osaka, Japão, havia uma fila de casas todas iguais. A rua terminava em uma loja de livros antigos, e logo ao lado desta havia um beco. Nessa rua, na casa mais perto do beco, morava uma garota, Eiko. Tinha 22 anos e morava com seu irmão, Kazuki, de sete anos. Haviam perdido os pais em um acidente de avião em 2004, e até então moravam sozinhos. A rua era pouco movimentada, em um bairro afastado do centro da cidade. Às vezes saiam para ir ao mercado ou ao parque na rua de baixo, mas a vida era sempre monótona.

   - Kazuki-kun! Kazuki! – chamou Eiko – Vamos logo, não quero demorar muito no parquinho!

   - To indo mana. – respondeu Kazuki pegando sua maletinha com o lanche.

     Enquanto Kazuki se arrumava, Eiko assistia o noticiário na TV. Um homem havia fugido da cadeia e estava foragido. A repórter dizia:

   - "Phillip Shephard fugiu da cadeia de segurança maxima St. Johnson nessa sexta-feira. As autoridades responsáveis pelo caso reportaram que ele pode estar envolvido em um projeto secreto ocultado pela polícia. A chefe do Departamento de Investigações de Oxford, Katherine Linus, disse que provavelmente..."

     Eiko não deu atenção a essa notícia. Todos os dias pessoas fugiam misteriosamente das cadeias, mais um não faria diferença. Saíram de casa e seguiram a rua deserta. O dia estava frio e escuro, o vento batia e cortava. Kazuki foi correndo na frente, em direção a loja de livros, agora fechada. De repente ele parou. Ficou olhando pra frente como se estivesse procurando por algo.

   - O que foi? – perguntou Eiko.

   - Acho que vi alguma coisa. Tipo uma luz azul.

   - Você ta é assistindo muito Harry Potter!

   - Não, olha! – apontou Kazuki. Um ponto azul brilhante flutuava a um metro da calçada. Piscou uma vez e foi em direção ao beco. Kazuki o seguiu correndo.

   - Kazuki! Onde você vai!

     Eiko seguiu Kazuki e a luz azul pelo beco escuro. A luz parecia estar os guiando para algum lugar naquele corredor de casas antigas e caídas. A infra-estrutura era das piores e não dava pra enxergar nada. Quando não agüentavam mais correr, a luz parou em um local mais aberto, como o quintal de uma das casas. No chão havia latas sujas, panos rasgados, jornais e muita sujeira. A luz explodiu de uma vez em um clarão. No meio dele havia um buraco negro, que aos poucos foi dando passagem para uma imagem que ia aparecendo: um caminho tortuoso que parecia não ter fim. A cena era atordoante, era como se uma enorme janela circular estivesse aberta e envolta por uma luz radiante flutuando no meio do nada. Parecia um portal.

     Em meio a uma fumaça negra que apareceu ao lado do portal, surgiram dois homens vestidos de ternos pretos que usavam uma máscara negra estranha. Um deles correu para Kazuki e o outro agarrou Eiko. Kazuki deu uma lancheirada na cabeça do homem e o fez cair no chão atordoado. Eiko não conseguiu se soltar dos braços do outro e gritou para Kazuki:

   - Mas que m...! Foge, Kazuki!

     Kazuki, não sabendo o que fazer, pulou dentro do portal, que imediatamente se fechou. Em meio à outra fumaça preta, o segundo homem desapareceu levando Eiko consigo.
O primeiro, levantando-se do chão e não acreditando que um garotinho o tinha nocauteado, pegou seu celular e discou: 756589.

   - O menor deles entrou. A outra está chegando com LX. – o homem parou e escutou atentamente a voz do outro lado da linha. Enfim respondeu – OK. Sim. Na Sede? OK. – Desligou o celular e sumiu no meio da fumaça.

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